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GALERIA

artes visuais

Na galeria estão os trabalhos desenvolvidos desde 2001, a partir do processo de pesquisa denominado fiandeira, até os recentes trabalhos do ano atual, 2021. Várias imagens, da série fotográfica denominada butô, são inéditas. 

As ikebanas de papel, as minikebanas, as pinturas gestuais e os círculos zen pertencem ao estudo e a prática que apontam para o aprofundamento cada vez mais alinhado entre arte e espiritualidade.

BUTÔ

2021

Foi a partir de uma oficina de sobreposição de imagens que veio à tona a paixão antiga pelo intenso expressionismo da dança butô, dança japonesa que contém na sua origem a dramaticidade do pós-guerra e revela com gestos minimalistas desconcertantes os espasmos da dor, da fome, da opressão, das injustiças. O desafio deste trabalho é sair da zona de conforto estética e emocional para dar voz ao sofrimento inerente às ações humanas obscurecidas por sua própria ignorância egoísta.  
Presto o meu humilde tributo ao mestre Kazuo Ohno que, em seu esqueleto contorcido de dor, encontra a expressão do amor nos movimentos da inocência infantil e oferece flores ao mundo.

ENSO

2021

O círculo zen, ou círculo perfeito, é chamado de enso no Japão. En, significa uma vida inteira e so, significa movimento. O movimento de uma vida inteira contém e está contido na vacuidade. Ao desenhar o círculo o vazio aparece, dentro e fora.  Desenha-se o círculo ou é o vazio que se desenha? Forma e vazio, vazio e forma, compõe esta dança paradoxal e complementar da transitoriedade permanente.

PINTURA GESTUAL

2021

“Livres, riscavam e comunicavam a sua dança. Apenas um pincel descarregando seu potencial irreverente de não saber o que será. O gesto, assim como um pelo que cai sem saber que forma vai adquirir ao encontrar o chão. Impregnado de acaso. O espontâneo de si. Humilde a resposta nua, ausente do que não é.”

Fragmento da crônica - grafelhos - que está no livro Retratos do Mundo Flutuante.

IKEBANAS DE PAPEL

2020

A série recente de colagens, as ikebanas de papel, mantém a presença da linha que é a guia do percurso da tesoura e o recorte estabelece o limite que separa a forma do todo. Retirada da sua origem, a forma é reconfigurada na associação com outras formas, em novos espaços ambientes de suporte. O exercício é de ressignificação e liberdade no ato de se recompor, se reinventar em novo contexto, além de tornar protagonista a forma que estava coadjuvante, invisível ou imperceptível no espaço anterior.

Igualmente a caligrafia da ikebana natural, tal qual um ideograma, que traz a dança vertical e lateral com a linha desenhada pelos gravetos, folhas e pétalas em uma prática de desenhos-composições multi-expressivos no espaço.

Os volumes e as proporções que se agigantaram nas intervenções urbanas, concentram-se agora na quietude do mínimo.

A produção artística na fase atual vem preenchida de direção e motivação espiritual.

Trabalho que comunga com a prática autoral da poesia haicai. São poemas líricos visuais que encantam por sua singeleza. Tem por conceito e leitura intersubjetiva de elevar a simplicidade presente nos pequenos gestos e no minimalismo delicado de uma flor, semente ou um galho seco, que por si só contém todo o universo, e ao serem rearranjados meticulosamente lhes conferem a amplitude da dimensão estética.

A mostra traz a primavera como conexão de esperança e reverência à vida que independente das estações, doenças e curas, explode suas cores.

MINI IKEBANAS

2020

As miniaturas de arranjos de flores se deram a partir de uma sacola de cápsulas de café que me foi presenteada. Posterior às artes de colagens, o assunto era o mesmo. Utilizando técnicas diferentes, o elemento central destas atividades artísticas é a tranquilidade serena que permite ações de extrema delicadeza.
O processo se amplia e vai para o entorno contemplativo, para a observação do comportamento das flores, horários adequados para a colheita, estudos de herbários e prensagens que darão origem a outros trabalhos.

FIANDEIRA

2001-2005

FIANDEIRA é o nome de um projeto de pesquisa em artes visuais que se originou em 2001, com a apropriação de uma prática artesanal chamada “tripa-de-mico”. Tecer pode metaforicamente representar prosseguir em conexão com o que passou, e neste fazer, a memória individual e coletiva é ressignificada ao trazer para um novo contexto antigas ações.

Por sete anos experimentei materiais como: cordas, malha, tecido de algodão, mangueiras de luzes, canudos plásticos, fio de nylon com isopor e eletrodutos corrugados. Cada etapa do trabalho revelou novas possibilidades formais e conceituais.

O conteúdo simbólico da matéria, da ação e da forma no espaço, trouxe frescor a uma proposta que encontrou na sua repetição, talvez o maior dos significados. O corpo inteiro envolvido na ação, num ritual mântrico de construção em torno de si mesmo, caminhando para dentro.

A cada lugar por onde a fiandeira se instalou, a paisagem foi alterada com a organicidade de linhas redesenhando a realidade.